A DISTÂNCIA ENTRE NÓS

"vou até o fim todo ser é um / e não há nenhum mal em ser ambíguo / novelo de lã leva pelo fio e não há desvio até o umbigo / todos nós um só / todos nós os mesmos / todos nós um nó a esmo" (Tetê spíndola)

Quando escrevi o título desta post, logo surgiu a lembrança dessa bela letra que a Tetê canta melodiosamente. Mas o "nós" do título é pronome pessoal, mesmo. Acabei de ler o livro da Thrity Umrigar, uma narrativa triste sobre a vida de 2 indianas de castas diferentes. Outro dia meu irmão disse que não suporta os indianos porque os considera ignorantes. Realmente, de acordo com o romance baseado em situações reais, esse povo é no mínimo, conformado demais. Embora há quem diga o mesmo de "nós", brasileiros. Toda unanimidade é burra?

Os indianos são separados por castas. Ou seja, a única alternativa é nascer entre privilegiados, pois não há possibilidades de ascensão... ou queda! Quem nasce parse, hindu ou brâhmane sempre será parse, hindu ou brâhmane, sem choro ou vela :{ ou melhor, com muito choro, mas sem dinheiro para adquirir velas. Na história, duas personagens morrem de AIDS, são queimadas numa pira a céu aberto, com os parentes aspirando o cheiro da carne humana devorada pelas chamas. Pense bem, chamam os carnívoros de selvagens. Por quê? Se tudo depende do referencial e "nós" comemos outros animais... Qual a distância entre "nós", homens e animais?

Bem, os animais não nos criam para fins comerciais; não mantém os humanos em cativeiros; não nos separam das nossas crias logo após o parto para engorda; não nos alimentam com hormônios; não aprisionam ninguém para provisão futura; não escolhem os bebês porque são baby beefs saborosos; não fazem churrasco da gente!! Nem têm colesterol alto, ou por desconhecerem tal fato, a vida deles seja mais curta, senão dariam preferência às magrelas... hahahahahahaha

Dizem que os elefantes não esquecem jamais, a maioria vive mais de 100 anos. Já "nós", humanos, morremos com Alzheimer entre muitas opções de esquecimento. Esquecer para não sofrer... Tem aquela frase sábia, do Raul, "pena eu não ser burro, assim não sofria tanto". A burrice é o inverso do esquecimento, mas dá no mesmo, é ou não?

Vixe, tô falando demais, né? Então vamos às cenas undergrounds (que não serão publicadas na mídia convencional, rs), datadas do tempo em que o frio aproximava as pessoas e o som do jazz prometia algo mais... Obrigada, Luta e diretoria da Casa da Cultura pela noite especial.
"Eu não devia te dizer / mas essa lua / mas esse conhaque / botam a gente comovido como o diabo" (Drummond)













No próximo Acontece entrevista com dona Selma, a professora que me iniciou nos caminhos da Matemática, uma bonitona de 70 anos! E uma reportagem sobre empresas que se uniram para expor seus serviços no pavilhão do comércio, na Expoagro, descobrindo que as parcerias são a chave para o sucesso.

Comentários

Anônimo disse…
Muito bonito Sheila. Faz pensar. E uma das coisas q penso é na história da nossa "evolução", voltando aos tempos em que "nós" éramos e viviamos igual aos animais, ou seja, sem escravizar, comíamos (e caçávamos) somente para viver.
Mas, como somos seres "superiores", feitos semelhança de Deus (?), "evoluimos" e nos tornamos tudo isto.
O ser humano usou a "inteligência" para poder se sair bem perante a grandeza da natureza (seleção natural). Aí, em algum momento, pensou (percebeu) que podia ser mais que a natureza e suas criaturas ditas "inferiores". Por que não?
Estamos assim...né?
Beijos e continuemos "nós"...juntos.
Léslie
Bisteca disse…
Com sempre, sábia, Léslie...
e esqueci algo importante, os animais não escravizam os humanos por interesse, não soltam a gente em arenas montados em nossos lombos e nem se divertem quando outros animais nos comem.... vixe, tem pano pra manga.
vamo ve a lua cheia qui é mió!
bjs
Companheira de Caminho Zen-Juízo,Vira-Lata...

Tanto cá quanto acolá, vivemos em castas. Ou aqui tá diferente isso???

Sei não... Sei não...

Existem as castas da cultura de guaZZupé, as castas da política, da políZZia, da turma da DONA ZSELMA, da turminha do fórum... "intão, reZZponde"???
Adoro seu Blog, fazia tempo que vc não escrevia, não? Gosto da sua sensibilidade ao escrever e fotografar!

Beijos, Sheila Zen-Juízo!!!rs!

ZEN-juízo nos sempre fomos...
Bisteca disse…
tenho que rezponder o comentário do meu amigo zen-juízo:
a gente vive em tribos, não castas, temos liberdade de ascensão, maior ainda, de quedas, rs, vivemos numa democracia, apesar de não exercemos, na maioria das vezes, nossos direitos de cidadãos...
como diz o zábio amigo virir, quem anda em turma é fósforo, rzrzrzrzrz
quanto à dona zselma, acredito que ela faça parte de uma tribo e é feliz nessa vida que ela escolheu. entrevistei dr. zsylvio e dona zselma num mesmo dia. guardei a entrevista dela pra depoizz... foram publicadaz num ezpço de 1 mêz, ficou parecendo que zou puxa zaco??? rzrzrzrzrzrz
Não é puxa-zzaco, não, Bisteca... é força da expressão. Castas e tribos é a mezzma porcaria. Não existe a tal "igualdade" ou "democracia" que inventaram por aí! Sempre exiZZtirão "castas", ou como vc quer, "tribos". Tanto lá na Índia como no Brazil, ou África, ou em qualquer caminho existirão aqueles que não ascendem...e não serão nunca aceitos por algum motivo ou "regras"...
Falei?!
Ah, é o meu blog é um blog "fanfarrão"... Não serve pra nada, apenas pra encher meu tempo de Zen-juízo solitário e o saco de alguns por aí!!!

Rs!

PS.:
Mas adoro o que vc escreve, e leia a livro que indiquei sobre a morte, que de morte não tem nada, fala da vida!!!

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