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Mostrando postagens de 2014

o terminal, as árvores e o rio

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Gente, sobre as jabuticabeiras e o futuro terminal rodoviário urbano de Guaxupé, faço algumas considerações. Principalmente, após o pedido da amiga e advogada Taty Abrão, pra que eu postasse um comentário sobre esse tema no grupo Guaxupé Destaca, no FB. Ensaiava a tempos esta atitude. Defendo a preservação das jabuticabeiras por vários motivos. Porque vejo muita beleza e harmonia nas construções que combinam natureza e concreto; porque pra mim cada ser vivo é único (em todas as suas versões) e cada vez mais árvores devem ser plantadas, não destruídas; porque acredito que o Parque Mogiana deva ser reflorestado com diversas e dezenas de árvores independentemente de qualquer coisa; porque sou a favor da preservação do charme de uma cidade do interior, da sua história e dos aspectos arquitetônicos que merecem ser valorizados e preservados; porque sou contra a canalização do rio Guaxupé nos mesmos moldes feitos no município de Mococa (SP), totalmente desprovido de verde e beleza…

dia 13 de agosto

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esquecer para não lembrar

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Este é o nome do livro escrito por Maria de Lourdes Menezes Ribeiro, uma dama por vocação. Dona Lourdes, como era chamada do alto dos seus mais de 90 anos, nos deixou há alguns meses. Ela também foi um dos cento e poucos entrevistados da coluna Minha História*, publicada semanalmente no Jornal Correio Sudoeste entre 2008 e 2012. Mas, dona Lourdes, a senhora não nos ensinou como se faz para esquecer realmente. Senão eu divulgaria aqui sua fórmula, bem como aplicaria a mesma em minha vida. As memórias são incansáveis e inclementes, pelo menos às pessoas que se julgam sãs. Gostaria de esquecer com facilidade minhas paixões, por exemplo. Viveria na ignorância, sem me incomodar com as queimadas que vitimam a natureza e os animais silvestres, ainda impactando a saúde de crianças e adultos. Com o consumo de agrotóxicos nas lavouras que exterminam as abelhas (cuidado, Guaxupé, até então, abelha pronta para o voo – ápice apta apis). Ou com o abandono e maus-tratos aos animais domésticos e dome…

da tia fádua a zuzu angel

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Tia Fádua viveu numa época em que sírios e libaneses habitavam o mesmo território, todos juntos e misturados no chamado Oriente Médio, tido como berço do cristianismo. Veio para o Brasil em 1922, aos catorze anos, quando conheceu o pai, José Elias, padre fundador da Igreja Ortodoxa em Guaxupé, também segunda maior concentração de emigrantes daquela região no Brasil da época. É muito triste observar o que acontece por lá desde então, uma bárbara cruz vermelha cravada no mapa-múndi. Breves foram os tempos de paz. Com a fundação de Israel, na década de 1940, então, à revelia dos seus já diversificados habitantes, e por países estranhos à região, o desentendimento foi acirrado – pela posição geográfica estratégica, pelo petróleo abundante, entre outras disputas pelo poder. Atualmente, quase cem anos após a saída da minha tia, continua o massacre de civis inocentes em prol de interesses econômicos amparados na ignorância e ganância daqueles povos. Tia Fádua ficaria mortalmente abalada com …

a vaca na selva

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Meu gosto por literatura começou cedo, digo, quando tinha menos de dez anos, estimulado por minha mãe e madrinha. Viajei pelos reinos de lindas princesas e outras histórias inusitadas da Enciclopédia da Fantasia, uma coletânea de autores de diversas partes do mundo. Por meio dos livros, conheci Robinson Crusoé, o conde de Monte Cristo, Pollyanna – a menina e a moça. Mas foi um bicho de quatro patas que ganhou minha imensa admiração: a Vaca Voadora, de Edy Lima. Devorei a coleção inteira, voadora, deslumbrada, na selva... Sábado à noite vi uma vaca morrendo depois de ser atropelada na paradoxal selva dos homens - de fibras de automóveis, velocidade e poluição. Houve sangue e leite derramado no asfalto. Incrível o pouco caso com que esses crimes são tratados. Provavelmente, o dono do pasto em que esse animal vivia receberá apenas uma multa, porque além da vaca não houve vítimas. Mas será ele intimado a cercar devidamente sua propriedade para que não receba punição maior, ou pena de pris…

pra-tinha

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Acredito na força do verbo, consequentemente, na força daquilo que nomeia os seres animados e inanimados. Santa Cruz do Prata, por exemplo, me remete à um lugar próximo à bacia do rio Prata ou quem sabe, onde foi encravada a cruz de prata de um poderoso guerreiro responsável por alguns pequenos milagres, e onde em torno se iniciou uma povoação. Talvez nenhum significado grandioso tenha o nome do pequeno distrito da vizinha Guaranésia. O fato que me causou tamanha especulação talvez nem seja relevante pra maioria. Mas há uns quarenta dias ou mais notei uma cadela famélica, abandonada em um dos trevos que leva ao referido distrito. Ela seria apenas um dos muitos animais diariamente abandonados na estrada. O fato que chamou minha atenção foi que essa cadelinha, machucada e com sarna, insistentemente sobreviveu onde poucos como ela conseguiram, numa passagem de tratores, caminhões e carros, na grande maioria, em alta velocidade. Aos poucos, passei a observá-la e, logo, a carregar ração e …

virtualmente excluída

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Um amiguinho muito inteligente chamado Diogo adorou a história da Chapeuzinho Amarelo escrita por Chico Buarque. A protagonista, uma menina que sentia muito medo, aprendeu a driblar esse sentimento invertendo palavras e, consequentemente, seus significados. Lobo virou bolo, tubarão baturão, e assim por diante. Certa manhã, despertei tentando converter a morte em algo banal. Mas virou temor. Dor, então, monossílaba impossível de inverter. Passei a filosofar sobre minha vida. Descobri que minha rara presença no facebook me transformou em uma mulher ilhada, com menos possibilidades de encontros com amigos e outros afins. Daí pintou o fantasma da solidão, ou lidãoso, lisodão, como queira. Lembrei-me de um amigo que achou curioso o fato de uma jornalista ser avessa aos meios de comunicação virtuais (não é o meu caso, já que estou bancária). Acredito que a comunicação seja uma das ferramentas para um mundo melhor. Desde que clara, fidedigna e acessível a todos. Obviamente, o caminho é a in…

calma aí, coração

"Eu já falei tantas vezes
E você nada de me ouvir
Vão-se os dias, anos e meses
E tudo que você sabe fazer é sentir
Quantas canções falam de você
Tantas paixões sem você não são
Não pare nunca pra eu não morrer
Nem voe tão mais além do chão
Deixa, me deixa em paz, ó meu coração
Chega, o que liberta é também prisão
Deixa, deixa assim, só e salvo e são
Quem tanto bate um dia apanha
Chega de manha, não me assanha
Doido, louco, maluco coração
Coração surdo não tem juízo
Não ouve nunca a voz da razão
E razão você sabe, é preciso
Pra curar a sua loucura, coração
Bandido cansado de enganos
Heróis de capa e espada na mão
Esquece metas, retas e planos
Veleja no mar escuro da ilusão"
Zeca Baleiro