atitude prime

É difícil fazer críticas, mesmo que construtivas, quando se vive numa cidade do interior, como Guaxupé, em que todos se conhecem e se julgam, mutuamente. Como jornalista, procuro me ater aos fatos e, como cidadã, acho justo emitir minhas opiniões. Não porque gosto ou deixo de simpatizar com fulano ou sicrano. Mas porque ajo e penso no coletivo. No momento, não vejo grande valia em sediar uma das principais festas agropecuárias do País. A cidade fica cheia de turistas irresponsáveis, a maioria só sabe beber cerveja, sujar nossas ruas e poluir nossos ouvidos cansados com música excessivamente alta. Obviamente, gosto não se discute. Mas o bom gosto de qualquer evento, público ou particular, sim. Bem como a qualidade e a educação dos seus frequentadores. A pessoa não deveria ser considerada PRIME por seu dinheiro, mas por suas atitudes.

Muito válida a presença da associação dos catadores de lixo reciclável na Expoagro. Cumprimento o vereador Mauri Palos pelo empenho à causa e pela parte que lhe cabe nesse trabalho. Segundo falou o vereador, a presença dos catadores de recicláveis no recinto da festa está relacionada ao projeto Bem Me Quer, patrocinado pela Brahma, cerveja oficial da Expoagro 2011:
"O projeto atua nos principais eventos do país, assessorando cooperativas locais para o gerenciamento de resíduos gerados nos grandes eventos, como o caso da Festa de Americana que foi arrecadado mais de 20 toneladas de reciclável (junho/2011), além de educação ambiental ao público e a campanha de consumo responsável – Brahma, só para maiores de 18 anos. O resultado do projeto foi a diminuição do impacto ambiental gerado pelo evento e a melhoria da qualidade de vida dos agentes. "
(fonte http://camarotebrahmacountry.com.br/santarena/Portugues/detBlog.php?codPost=130&codEvento=36 )
A associação guaxupeana, atualmente, conta com onze catadores. Como a coleta seletiva ainda é incipiente, no município, a tendência é aumentar esse número, caso receba apoio adequado da Prefeitura e da comunidade.

Além de demonstrar responsabilidade socioambiental, apoiando de modo contínuo a associação local dos catadores, o Sindicato Rural poderia trabalhar a sustentabilidade do seu negócio, também, com outras ações enriquecedoras à qualidade de vida da comunidade. Por exemplo, assumindo um compromisso com o entorno da festa. Há quantos anos os moradores mais próximos aguentam o som alto durante a madrugada, nos dez dias do evento? Do meu quarto, na Praça do Rosário, acompanhei o show do Chitãozinho e Chororó, ontem. Nada mais justo que, após a festa, por intermédio de um instituto social criado para esta finalidade, por exemplo, se investisse nos bairros adjacentes, promovendo melhorias, como construção de playground, campo de futebol, skate, ciclismo, infraestrutura, apoio ao coral da Santa Cruz, projetos educativos, creches, etc. Seria uma atitude PRIME e uma boa parceria para o município.


MINHA HISTÓRIA
Angelina Ricciardi relembra o Bebedouro antigo (na primeira foto, Angelina posa junto à pintura da antiga casa da família, situada em frente a Comercial São Francisco, num tempo em que essa área era constituída por diversas chácaras e o pai dela era um dos principais chacreiros).


No campo das lembranças

A guaxupeana Angelina Ricciardi Rossi nasceu em 28 de agosto de 1917, filha dos imigrantes italianos Francisco Ricciardi e Júlia de Camillo; irmã de Natalina, Maria, Brás, Adelina, Domingos e Rosinha. Senhora de aparência saudável, não denota a idade que tem. Porém, aos 93 anos, sua memória começou a falhar, não consegue mais precisar acontecimentos e datas. Algumas pessoas já fugiram da lembrança e, às vezes, os nomes de parentes e amigos: “Meu pai sempre dizia, nesse mundo tudo acaba, até o ferro a ferrugem come.”

“Meus irmãos e eu nascemos no Bebedouro, onde meu pai tinha uma olaria e, depois, uma loja de secos e molhados chamada Comercial São Francisco. O armazém do papai abastecia duas fazendas do Conde Ribeiro do Valle, a Nova Floresta e Santa Cruz. Ele não tinha estudos, não sabia ler, nem escrever, mas era muito inteligente. Mamãe era dona de casa.
Antigamente, não havia nada para se fazer. A região em que a gente morava era tudo chácara. A Avenida Conde Ribeiro do Valle terminava logo após a Avenida dos Inconfidentes. Meu pai tinha setecentos pés de peras em uma chácara no início do bairro. Vendia pra Campinas, Ribeirão Preto e outras cidades. Lembro das caixas cheias de frutas sendo colocadas nas carroças e, desta forma, transportadas à estação de trem.
Aos sete anos, entrei no Grupo Delfim Moreira. Minhas professoras foram dona Maria Pereira, dona Leonor e dona Maria Coragem. Esta última morreu há alguns anos, eu a visitava sempre. Depois do primário, papai queria que todos seus filhos continuassem os estudos, mas eu preferi parar. Somente Rosinha se formou para professora.
Aprendi a bordar com dona Rosa, professora da Singer. A escola ficava onde, até pouco tempo atrás, era a Farmácia Xavier. Havia muitas máquinas e alunas. Naquele tempo, não se usava bordar à mão.
Papai tinha outra chácara, grande, onde hoje é o bairro Nossa Senhora das Dores. Ele vendeu essa propriedade com a intenção de se mudar com a família para a Itália. Ele foi primeiro, mas não se adaptou, decidiu continuar aqui.
Ele já estava de volta, quando alguns sobrinhos pediram para vir ao Brasil. Meu pai precisou escrever uma carta informando ao consulado que eles viriam trabalhar com ele na chácara. Mas eles eram grã-finos, só queriam passear e passar bem, logo quiseram voltar. Papai teve que arcar com todas as despesas da viagem deles, gastou quase todo o dinheiro da venda da chácara. Ele era muito bom pra família.

Nossa casa ficava no meio de onde hoje é a avenida, em frente à Comercial São Francisco. Eu costumava sair somente quando aconteciam festas religiosas, como a de São Sebastião, em frente à Catedral, a de Nossa Senhora Aparecida, em frente à Santa Casa e a de Nossa Senhora do Carmo, no Bebedouro.
Essas festas eram muito boas, nossa, mãe! Tinha correio elegante que os moços mandavam pras moças. Eu recebia muitos bilhetes. Bons tempos. Todo mundo levava uma prenda para os leilões da igreja. Quando fui festeira, ganhei uma leitoa. Quis fazê-la recheada, mas não sabia como. Aprendi com dona Teresinha, que morava na Rua Alexandre Volta, perto do campo de futebol. Minha leitoa recheada fez sucesso.

A camponesa e o ferroviário
Por volta dos dezoito anos, fiz uma viagem de trem com meus pais para o Paraná. Fomos ao casamento de um primo. Na festa, conheci José Rossi, vizinho dos meus parentes. Começamos a namorar por cartas. Depois, ele arrumou emprego de portador da Mogiana e veio morar em Guaxupé, na casa de um tio, o português Antônio Fonseca.
Em primeiro de julho de 1937, nos casamos na Igreja do Rosário. Papai fez uma casa pra gente morar, perto da casa dele. Foi assim com cada filho que casou. Ele nos ajudou muito. Meu marido ganhava pouco, somente depois foi promovido à conferente.
Nosso primogênito, Francisco, nasceu nove meses depois que me casei. A segunda filha, por ter nascido no dia de São Sebastião, foi batizada Sebastiana. Ela faleceu com três anos, de pneumonia. No mesmo ano, morreu muita criança com essa doença, incluindo uma da minha irmã Natalina e outra da tia Rosina. Em seguida, nasceu nosso caçula, Gentil.

José saía cedinho para o serviço. Eu ficava com as crianças na casa dos meus pais até ele voltar. Todos se reuniam nesta casa, quando tinha festa na família. Papai comprava cabrito, carneiro e leitoa com antecedência. O porão da casa deles era muito alto e espaçoso, a gente fazia tudo lá. Como não havia água encanada, era preciso pegar com o balde, da cisterna. A gente bebia esta água, mas as pessoas de fora não gostavam do sabor, diziam que era salobra.
Quando o prefeito, primeiro Walmor Russo, depois Joaquim da Casa das Linhas, resolveu continuar a Avenida Conde Ribeiro do Valle, negociamos nossa chácara em troca de uma casa para cada um dos sete herdeiros do papai, que já havia falecido. Eu pedi para o Joaquim colocar o nome do papai na rua, mas ele disse que ela já tinha nome. Sugeriu, então, chamar a praça que também foi construída, de Francisco Ricciardi.
Lembro-me de uma enchente, em 1984, que inundou nossa casa, guardo até o jornal da época com esta notícia. A água subiu alto, sujou nossos móveis e roupas. Quando invadiu nossa casa comecei a rezar, pedindo para Santo Antônio ter dó de nós. Fiquei sozinha, não quis sair como fez meu marido. Gentil ficou nadando na enchente. Nossos vizinhos, solidários com a situação, ajudaram a limpar nossas roupas.
Havia um problema na Polenghi, que não deixava a água passar. Devemos ao Toninho Zeitune a solução desse problema. Ele fez outra passagem para o rio naquela região. Foi uma beleza, não deu mais enchente.
Meu marido morreu há muitos anos, não recordo a data exata, ele sofria do coração. Viajei para Manaus e Rio de Janeiro com meu sobrinho Emílio, filho da Mariinha, que trabalhava na Transbrasil. Levo uma vida tranquila, faço os serviços de casa, compro comida pronta e descanso bastante. Todos os dias, visito meu irmão, Tinho (Domingos), que mora ao lado.”
Atualmente, Angelina tem quatro netos, Gelson e Pedrinho, filhos do Francisco, e Ronaldo e Ângelo, filhos do Gentil, que faleceu num acidente de carro quando os meninos ainda eram pequenos. Francisco a visita diariamente e, todo domingo, ela passa na casa do filho pajeando o bisneto, Gabriel.

Fotos:
1) A jovem Angelina.
2) Em 1935, Angelina, à direita, ao lado da cunhada, Maria Rossi Alvarenga.
3) Angelina, entre o marido e o filho Gentil, em Aparecida.
4) Os irmãos e vizinhos Domingos e Angelina.
5) Angelina e o marido, José, cerca de trinta anos atrás.
6) Em Manaus, o sobrinho Emílio abraçado à tia Angelina e à mãe, Maria.



Apoio cultural:

Comentários

Anônimo disse…
SAbe Sheila?! Ultimamente conviver com o animais me traz mais prazer do que com os humanos, ou aqueles que se dizem humanos.
A pior raça deles: alunos!
Os segundos: Diretores que têm que dar continuidade aos disparates qeu o governo manda-os fazer.
Os terceiros: professore e políticos, que repetem tudo que so de cima manda-no fazer.
Só que há uma imensa disparidade nesses dois últimos - um ganha milhões para exercer tamanha safadeza, os outros só levam a fama e a cacetada de todos os outros e também de toda a sociedade, inclusive dos "primes"...kkkkkkkkk
Anônimo disse…
SAbe Sheila?! Ultimamente conviver com o animais me traz mais prazer do que com os humanos, ou aqueles que se dizem humanos.
A pior raça deles: alunos!
Os segundos: Diretores que têm que dar continuidade aos disparates qeu o governo manda-os fazer.
Os terceiros: professores e políticos, que repetem tudo que os de cima manda-os fazer.
Só que há uma imensa disparidade nesses dois últimos - um ganha milhões para exercer tamanha safadeza, os outros só levam a fama e a cacetada de todos os outros e também de toda a sociedade, inclusive dos "primes"...kkkkkkkkk

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