eu amo guaxupé?

Não basta colocar um adesivo no carro com o slogan Eu Amo Guaxupé. É necessário mais, como adotar uma atitude amorosa em relação à cidade. O que move as pessoas é o amor ou o capital financeiro? Uma pessoa vale pelo que ela é o pelo que ela pode comprar? O mesmo questionamento vale para todas as coisas do universo. Por exemplo, um imóvel vale somente pelo retorno financeiro que ele pode oferecer a seu proprietário ou existem valores intangíveis e, portanto, incomensuráveis?

Sempre me emociono quando observo os imóveis que contam um pouco da história daqueles que fizeram a história do município, fato que agrega valor a esses imóveis. Porque essas construções, apenas por suas características arquitetônicas já representam uma riqueza cultural merecedora de ser preservada. Tombar e cuidar de um bem histórico demonstra o respeito que uma sociedade confere à sua história e aos cidadãos que fizeram parte dela.

Ontem, enquanto assinava o abaixo-assinado em favor da revitalização e preservação dos paralelepípedos de Guaxupé, um amigo perguntou por que não se faz uma manifestação semelhante para o "palácio das águias". Concordei com ele, pois é incompreensível o descaso com que esse singular monumento artístico vem sendo tratado por seus proprietários. Ele até sugeriu que o local poderia se transformar num museu do café, pela Cooxupé, ou, até mesmo, no palácio das orquídeas. Já inseri diversas fotos do imóvel em questão, aqui, neste blog. Mas, no momento, o foco é outro...

Retomando o tema paralelepípedos, para facilitar sua adesão, é preciso esclarecer o que a Associação Viralatas do Samba e os subscritores do abaixo-assinado reivindicam com o movimento Conservem a pedra no meio do caminho:

1) Não basta apenas conservar as ruas de paralelepípedos, é necessária a revitalização das mesmas, com a participação de uma empresa especializada nesse tipo de obra. Assim, todas as ruas de pedras irão retomar sua qualidade original.

2) O fato de conservar as ruas de pedras não impede que sejam colocadas, em diversos pontos, faixas asfaltadas para travessia de pedestres, o que facilita a locomoção de cadeirantes, mulheres de salto alto, entre outras questões relacionadas à segurança no trânsito, como sinalização indicando a velocidade máxima permitida, locais que exigem maior atenção dos motoristas, etc.

3) É preciso que a empresa responsável pela água e esgoto do município assuma o compromisso de manter a qualidade original das nossas ruas. Portanto, cabe a Copasa consertar o estrago causado às ruas de paralelepípedos devido aos serviços realizados em tubulações subterrâneas.

4) O tombamento pelo patrimônio histórico municipal das ruas de paralelepípedos, conferindo aos mesmos a condição de patrimônios públicos.

Em relação a este quarto item, fica a dúvida, será que apenas o tombamento histórico garante a preservação do bem tombado? Na placa em frente ao antigo palácio da justiça onde se lê "reforma e adaptação" deveria estar escrito "restauração e adaptação". Pelo que sei, um bem tombado pelo patrimônio, como é o caso, não pode sofrer modificações que alterem sua fachada original (entende-se por fachada tanto o lado da Rua Major Anacleto quanto o lado da Avenida Dr. João Carlos). É um absurdo colocarem essas grades no jardim, mais ainda com a anuência do Conselho Municipal do Patrimônio Histórico. Por acaso, essa "adaptação" não estaria ocorrendo em desacordo com a lei?

Essas grades, curiosamente, parecem afastar, ainda mais, os vereadores dos seus eleitores...







Note que um dos coqueiros está comprometido, deverá ser arrancado. Sabe por quê? Porque, por ignorância ou desatenção, colocaram tachinhas e pregos para fazer uma bonita iluminação de Natal para os cidadãos guaxupeanos, sem levar em consideração o fato de uma árvore ser, também, um ser vivo. Esperemos que, de agora em diante, elas sejam tratadas com o devido respeito.

Outras paisagens:



Antes de ser o Hotel Central, do Pedro "Beia", este prédio foi sede do segundo grupo escolar da cidade, o Barão de Guaxupé, em meados de 1930 e década de 1940. Infelizmente, não foi tombado pelo patrimônio histórico. Da fachada original, restaram poucas características.











FLORES PRA VOCÊ

Pra mim, as flores do ipê são a cara de Guaxupé. Estas amarelas, especialmente, na Avenida Conde Ribeiro do Valle enchem de esperança nossas vistas cansadas. Como pode um olho ter esperança? Sentimento deveria ser privilégio do coração. Como disse o poeta russo, nossa anatomia ficou louca. Por isso, o amor salta aos olhos...











Comentários

Lamentavelmente, os responsáveis pelo Patrimônio Histórico não estão respeitando a nossa querida Guaxupé! Isso é bom para o povo aprender a votar com consciência nas próximas eleições. Se bem que quem vê cara não vê coração! Desculpem o desabafo, mas amo a minha cidade e não queria o passado fosse esquecido. Há cidades brasileiras como Parati, Ouro Preto, dentre outras como Olinda, que preservaram o patrimônio histórico e nem por isso deixaram de se desenvolver. Como Guaxupé quer ser uma cidade também turística, com uma das maiores festas agropecuárias do país se não respeita a sua arquitetura de interior. Preservar a arquitetura antiga não ficar parado no tempo, mas valorizar as raízes... Um povo sem cultura e raízes históricas, é um povo pobre! Pensem nisso!
Desculpe o trocadilho, querida Sheila, mas o nosso patrimônio histórico está sendo tratado como um "vira-lata", ou seja, com descaso. É lamentável!

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