o palhaço em guaxupé

Que filme lindo! A trilha sonora acompanha uma mistura de melancolia e nostalgia do enredo, com canções de Moacir Franco, que interpretou o delegado Justo, e remetem a uma singeleza em extinção, um tempo em que as cidades mineiras eram realmente interioranas e que o circo mobilizava toda a população, com o prefeito e a primeira-dama prestigiando os artistas num lugar de honra da plateia. Onde a arte não precisava de subterfúgios para atrair o interesse do público, como shows com animais. A beleza e as cores fortes do charmoso figurino contrastam com o verde dos morros e o marrom das estradas de terra, secas e poeirentas, ladeadas o tempo todo por canaviais que remetem à desolação mental vivida pelo personagem de Selton Mello, também diretor e roteirista do filme, entre outras funções desempenhada por ele nesse complexo mundo dos estranhos seres audiovisuais. Seu personagem, o palhaço Benjamin, busca a própria identidade, insatisfeito por doar alegria e não conseguir recebê-la de volta: "O gato bebe leite, o rato come queijo e eu sou..." Pra rir e chorar, com uma fotografia intensa, que diz tudo silenciosamente. Amanhã, quarta, casal paga meia-entrada, no Cine 14 Bis.

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