convergências

No final, MINHA HISTÓRIA
O guaxupeano Jesuíno Leite Ribeiro divulgou seus trabalhos em Belo Horizonte, Rio, São Paulo e Europa.



Arte - Cultura - Interação - Tecnologia - Redes - Audiovisual - Teatro - Sons - Textos Literários - Teatro - Diversidade - Educação - Cinema - Gambiologia - Oficinas - Palestras - Criatividade - Experimentação - Convergência - Entretenimento - Ousadia - Reflexão - Conectividade

Embarque com a gente nessa CARAVANA, que começa em Guaxupé, de 25 a 28.05, e segue rumo a Juiz de Fora, Cataguases, Montes Claros. Saiba o que o pessoal antenado e atualizado de Belo Horizonte vem realizando por meio das novas tecnologias. Uma boa oportunidade para ampliar conhecimentos e fazer contatos, numa rede social criativa e com conteúdo.

O Caravana Digital apresenta e divulga catorze projetos do Programa Vivo Lab, resultado do trabalho e construção coletiva de artistas, produtores e realizadores de Minas Gerais: "O objetivo é ampliar o repertório cultural e favorecer a formação de público, apropriando-se das pesquisas e conteúdos artísticos alcançados para gerar novos projetos, produtores, coletivos criativos e instituições culturais em Minas."




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Acabei de assistir ao Afinando a Língua, no Futura. Tony Bellotto e Alceu Valença juntos, que delícia! Se liga, porque tem reprise sábado, acho que às 20h.

Curto as trilhas sonoras de Tapas & Beijos e Divã, da Globo.

A Lua cheia de maio, plena hoje, 17, é um momento de celebração espiritual especial na Índia, seja para yogues ou budistas. Eles celebram para fortalecer as forças do bem. Ao ver no céu a lua em sua plenitude, aproveite para meditar e pensar em coisas boas.
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Agora a pouco, na Câmara Municipal, aconteceu uma coletiva de imprensa para divulgação da semana superartistica-cultural que acontecerá de 22 a 28.05, com show do Wolf Borges (22), Cia Teatral Luna Lunera (de 24 a 28) e Caravana Digital (de 25 a 28).



DIA 27, 20H30, NO TEATRO MUNICIPAL - A PARTIR DE 16 ANOS
(entrada 1 KG de alimento não perecível)



Vida dedicada à arte

Jesuíno Leite Ribeiro nasceu em 29.09.35, em Guaxupé, filho de Benedito Leite Ribeiro e Nair Monteiro Ribeiro. Irmão de Urbano, já falecido, de Helena, Cecília e Lucila. Zino é um artista plástico renomado, seu nome está incluído no Dicionário das Artes Plásticas no Brasil, de Roberto Pontual, e P. M. Bardi, Profile of the New Brazilian Art. Influenciado pelos pintores expressionistas alemães, como Max Beckman, Emil Nolde, entre outros, Zino nos revela suas emoções com cores fortes e formas distorcidas. Costuma deixar as ideias fluirem, sem muito planejamento. Para ele, pintar é uma inspiração: “Pintura é minha vida, se não pintar parece que não estou vivendo.”

“Nasci numa casa ao lado do Colégio Imaculada Conceição. Na década de 50, meu pai vendeu essa casa, construindo nova residência na Rua Padre João José, onde moro até hoje. Desde os cinco anos já gostava de desenhar, influenciado pelas histórias em quadrinhos dos gibis. Meu pai chegou a emoldurar um dos desenhos que fiz quando criança.
Papai era médico e, mamãe, dona de casa. Costumava brincar com os moleques da vizinhança. A gente esticava, pela calçada, uma linha com uma panela cheia d’água numa das pontas, num lugar mais alto. À noite, o passante não percebia a linha e tropeçava, derrubando a água em sua roupa. A gente ria e saía correndo, cada um para um lado, para não apanhar.

Minha mãe gostava muito de piano. Contratou um professor para mim, queria que eu me tornasse um pianista. Mas o professor não ficou por muito tempo, disse que eu tinha mais jeito para o desenho. Eu desenhava o dia inteiro nos cadernos de espirais.
Fiz o primário no Grupo Barão de Guaxupé, no prédio do antigo Hotel Central. Lembro-me da professora Lila Lepiane, ela ensinava muito bem. Depois fui para o Colégio São Luiz Gonzaga. Tinha um padre alemão, irmão Paulo, que ficou revoltado porque a Alemanha perdeu a Guerra para os cowboys americanos, mal-educados e pouco civilizados, como ele costumava dizer.
Fiz o curso Científico em BH, primeiro no Colégio Arnaldo. Não estudava, ficava desenhando o tempo todo. Fazia desenhos dos professores, a lápis. Um dia, um colega roubou meus desenhos, passou tinta nanquim por cima e publicou no jornal de Minas como sendo dele. Fiquei furioso, mas não adiantou nada. Teve um professor que chamou o sujeito de farsante em sala de aula. Tomei bomba e passei para o noturno, no Colégio Marconi.
Morava numa pensão da Rua Ceará, junto com uma turma de conterrâneos, entre eles, Sylvio Ribeiro do Valle e os irmãos Antônio e José Costa Monteiro. Fui dispensado do exército por excesso de contingente, foi uma sorte e um tremendo alívio. Desenhava o dia inteiro. Uma senhora notou essa minha tendência para o desenho e me aconselhou a estudar na recém-fundada Escola de Belas Artes de Belo Horizonte, com o Haroldo Matos, onde entrei em 1953.
Alberto da Veiga Guignard era o pintor mais famoso da época. Convidado por Juscelino, quando este foi prefeito de BH, Guignard dirigia a Escola de Artes do Parque Municipal. Havia uma grande rivalidade entre os alunos desta escola e os da minha.
Em 1957, participei de um salão de pintura (XII SMBABH) que reunia os pintores de BH. Lembro que um dos meus desenhos foi pisado, ficando com uma marca de sola de sapato no paspatur branco. Acho que isto aconteceu devido à rivalidade entre as escolas de artes. Ganhei o 1º prêmio com meu auto-retrato pintado a óleo. No mesmo salão, Guignard expôs um de seus retratos fabulosos, ele era o’concur. O trabalho dele me impressionou muito, fiquei emocionado.

Escola Nacional de Belas Artes
Em 1958, fui estudar na Escola Nacional de Belas Artes, no Rio. Oswaldo Goeldi foi meu professor de Xilogravura. Eu preferia fazer gravura em metal. Ainda guardo alguns exercícios dessa época. Em 1959, participei do VIII Festival de Arte Universitária de BH, ganhando o 1º prêmio de gravura. Quando fui receber o prêmio, um ex-colega disse que eu estava ali só para atrapalhar os outros concorrentes (rs).
A prensa da oficina da minha escola não tinha boa qualidade. No Museu de Arte Moderna do Rio havia uma oficina completa, de qualidade superior, mas a professora era uma chata, não permitia que os alunos da nossa escola a usassem. Existia uma rivalidade entre as duas instituições.
Estudei cinco anos na Escola Nacional de Belas Artes. Nesse ínterim, concluí o 2º grau no Colégio Frederico Ribeiro. Tentei estudar Arquitetura, mas não passei no vestibular. Em 1960, realizei minha 1ª exposição individual de desenhos, na Galeria Macunaíma, no Rio. No início dos anos de 60, durante um curto período, fiz algumas ilustrações para a Revista da Semana, semanário com enfoque político, que logo fechou.

Na minha formatura, em 1963, fui convidado a fazer o desenho do convite para a cerimônia de entrega dos diplomas. No mesmo ano, Pietro Maria Bardi me convidou para fazer uma exposição individual de desenhos no MASP - Museu de Arte de São Paulo, que ele dirigia. A esposa dele, Lina Bo Bardi, que era diretora do Museu de Arte da Bahia, em Salvador, levou para lá, também, a mesma exposição.
O Bardi comprou dez desenhos meus, mas isso era raro. Antes de expor no MASP, ele me indicou uma galeria de artes, mas a diretora do lugar não gostou do meu trabalho. Então, a exposição foi para o MASP. O crítico de arte e colunista da Folha de São Paulo, José Geraldo Vieira, estava presente nessa ocasião. Escreveu elogiando meu trabalho, disse que tive sorte em não expor naquela galeria, que no museu foi muito melhor.
De volta ao Rio, fui convidado pelo professor Jordão para ser assistente da cadeira de modelo vivo da ENBA. Ao mesmo tempo, também me convidaram para lecionar desenho no Instituto Central de Artes de Brasília. Optei por Brasília, mas com o Golpe Militar todos os professores da escola decidiram pedir demissão e fiquei desempregado.
Novamente, voltei para o Rio, mas a vaga que me ofereceram anteriormente já estava preenchida. Nessa época, eu produzia muitos desenhos. Fiz uma exposição na FUNARTE. O crítico do jornal O Globo, acho que Frederico de Morais, elogiou meus trabalhos. Vendi alguns.

Um guaxupeano na Europa
Meu pai me aconselhou a viajar para Roma, Itália, com meu cunhado Giovanni Barone, casado com Helena. Mas ele perdeu o voo e acabou não viajando. Fiquei transitando sozinho em Roma. O porteiro da Embaixada do Brasil indicou uma pensão para eu me hospedar. Por coincidência, fiquei com o quarto de um brasileiro que estava saindo.
A pensão ficava perto da Piazza Navona, famosa praça da capital italiana, onde expunha meu trabalho junto com outros artistas. Fiquei mais ou menos assim durante um ano, vendendo desenhos para turistas estrangeiros. Quando meus colegas pintores fundaram a Galeria Controdado, me convidaram para expor com eles. Vivi na Itália durante quatro anos, de 70 a 74. Conheci Paris e Londres numa viagem de automóvel. Passei pela Suíça, sem delonga, pois acho este país muito chato.
De volta a Guaxupé, continuei trabalhando. Comecei a pintar com tinta acrílica sobre tela. Levo uma semana para pintar um quadro. Primeiramente, faço uma cópia bem detalhada do natural, depois, trabalho sobre esse desenho usando minha imaginação.
Participei de diversas exposições na Galeria Seta, em São Paulo, do marchand Antônio Maluf, incluindo uma exposição individual em que o crítico de arte Mário Schenberg elogiou minha obra no convite. Passei a expor, também, na Galeria Arte do Brasil, do Antônio Maluf em sociedade com Raul Forbes. Lá eu vendia bastante.

Em 1980, o amigo e também pintor, Francisco Rezende, me convidou para fazer uma exposição, junto com ele, na Galeria Seta. Desta vez, o poeta e jornalista Menotti Del Picchia escreveu nossa apresentação no convite da exposição.
Ainda em São Paulo, em 1987, fiz uma exposição individual na Denis Perri Galeria de Arte. Em março de 1995, expus na Galeria da Caixa, em BH. Também participei de coletivas no exterior, como na Filadélfia, em Londres e Salzburgo. Há quatro anos, geralmente em novembro, venho apresentando meu trabalho no foyer do Teatro Municipal de Guaxupé, com o apoio de parentes, amigos e instituições parceiras.”
Zino, que já foi um grande boêmio, atualmente, leva uma vida tranquila ao lado da irmã, Cecília, entre suas telas espalhadas pela casa. Seu dia a dia começa bem cedinho, às 5h30. Quando não está pintando nem pensando em pintura, está lendo. Costuma deitar-se às 23h, geralmente, depois de ver um filme na TV.

Fotos:
1) Os pais, Nair e Benedito, com os filhos Urbano, Helena e Jesuíno, em meados da década de 40. (FOTO MAIOR)
2) Auto-retrato, aos 18 anos.
3) Foto da década de 70 incluída no convite da exposição individual da Galeria Seta.
4) Atualmente, Zino, em sua casa, entre as irmãs Helena e Cecília.
5) Zino e Lucila, em novembro de 2010, no foyer do Teatro Municipal.


Apoio cultural:

Comentários

Lucila disse…
Querida Sheila,
Mais uma vez você prestigiando o Jesuino e divulgando seu trabalho. Ficou ótima a entrevista. Um grande abraço, Lucila

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