virado à mineira

Mais pra baixo, MINHA HISTÓRIA
Marcos Pasqua conta como nasceu duas vezes.


No repertório do show Circo dos Sonhos, domingo, no Teatro Municipal de Guaxupé, além de composições próprias, Wolf Borges surpreendeu o público com pérolas de Alceu Valença, Lenine e Milton Nascimento. O músico Élder Costa interpretou Outro Lugar, música de sua autoria, gravada por Milton no álbum Pietá ( http://www.eldercosta.com.br/ - neste site tem as músicas dele cifradas, muito bacana). O violeiro João Paulo Amaral impressionou com seu solo na viola de dez cordas ( http://www.joaopauloamaral.com.br/ ). Após o show, os músicos venderam CDs, conversaram com o público e tiraram fotos.




O show abriu o "viradão de guaxupé", como escreveu a amiga Mirna. Ou "virado à mineira", como bem representou a filha dela, Intiannie. Sim, porque o bom mineiro não tem pressa, come quieto. Em vez de eventos artístico-culturais durante 24 horas seguidas, melhor é dividir essas horas em dias, com pausas para cafezinhos, botecos, várias prosas e um bom soninho.


Aqui vai um informativo que recebi da companheira Laíse Diogo, do Instituto 14 Bis, sobre as oficinas que acontecem até sábado, 28:

Olá, amigos, novidades!

As inscrições para as oficinas da Caravana Digital e da Cia Luna Lunera (ator-criador) estão encerradas.

Até sexta-feira, fica aberta apenas a inscrição para a oficina de Produção Cultural, que acontece sábado, das 14h às 18h, no Auditório do Departamento de Educação. ( http://www.instituto14bis.org.br/cursos.htm )


Amanhã, a exposição VIVO LAB do Caravana Digital (estará aberta ao público a partir das 15h30, no foyer Teatro e no Museu Municipal. Lembrando que na quinta, 26, e sexta, 27, tem o Cine Caravana, às 19h30, na Santa Cruz e Núcleo Rural Pinheiros, respectivamente. Na manhã de 26, palestra Educação Midiática, com Juliana Leonel, no Teatro Municipal. Sexta, 27, às 20h30, a peça teatral Aqueles dois, com a Cia Luna Lunera (entrada 1 kg de alimento não perecível). Sábado, 28, das 10 às 12h, Laboratório de Redes, também no Teatro. Às 18h30, cortejo digital com os artistas do Kabana, e, às 20h30, espetáculo de rua Os Amantes de Sherazade, em frente ao Municipal.

Confira a programação: http://instituto14bis.org.br

Parceiros locais:
Instituto 14 Bis de Educação e Cultura
Prefeitura de Guaxupé
Instituto Cultural Elias José
Coletivo Beerock
Casa da Cultura
Associação AC Viralatas do Samba
Rádio Comunitária 87FM
TV Sul Educativa



A chama da força interior

Marcos Pasqua, guaxupeano, nasceu em 11.04.44, o caçula de Silvério Miguel Pasqua e Haydeé Branco Pasqua. Antes dele, vieram Palmira, Luiz Carlos, Célio, Tereza e Cecília. Homem de memória notável (só não é bom com datas e números) e muito espiritualizado, afirma lembrar-se do momento em que saiu de dentro da mãe. Há trinta anos, Marcos estava desenganado pelos médicos e conseguiu curar-se, graças à sua força de vontade e estudos sobre a medicina chinesa: “Vou morrer saudável.” Se depender da sua chama interior, certamente, vai.

“Doutor Benedito, meu cliente, ficou espantado quando contei que me lembro da fumaça e dos caminhões passando com café queimado pela minha rua. O café foi queimado para subir de preço. Não sei se minha memória vem desta ou de outra vida, pois ele afirma que eu não havia nascido nessa época.
Meu pai trabalhava com artes gráficas, ele tinha a Gráfica Pasqua, na Rua Aparecida, ao lado da nossa casa. Aos seis anos comecei a trabalhar na gráfica, aprendi a desenhar meu nome para assinar a folha de presença. Eu ajudava na encadernação, embalagem dos impressos e nos serviços gerais.
Minha mãe era dona de casa. Nossa casa era alegre, recebíamos muitas visitas. Como meus pais eram espíritas, muitos frequentadores das reuniões da doutrina, que moravam em cidades próximas, se hospedavam em casa. Eu presenciei sessões espíritas desde os quatro anos.
Recordo minhas molecagens, os jogos de bola na Vila Rica, onde não havia casa nenhuma. Tinha uma turma grande de amigos, a maioria primos. Nossa diversão era roubar frutas das árvores nas chácaras dessa região até o Bebedouro. A gente fazia cobra de pano amarrada a uma linha preta numa das pontas e a colocava na calçada, à noite. As pessoas não percebiam a linha. Quando a gente puxava, a cobra subia no pé do indivíduo que saía correndo, gritando.
Em 1951, entrei no Grupo Barão de Guaxupé. Minha primeira professora, dona Nilva Pinto, era muito brava. Às vezes, quando eu não entendia alguma coisa de Português, ela espetava a ponta afiada do lápis na minha cabeça. Depois vieram dona Itinha, Carlina e Carmélia, todas mais tranquilas. Quando estava no 3º ano, um padre fez uma entrevista sobre vocações com os alunos. Respondi, sem pensar: Se eu não fosse médico seria padre.
Fiz o ginasial e o científico no Colégio São Luiz Gonzaga, com os irmãos lassalistas. Tinha o Germano, Ludwig (que chamávamos de Ludovico) e o diretor, padre Arnaldo. Ia à missa, na capela do colégio, todo dia, às 6h. Eu gostava muito do cheiro do incenso. Aos domingos, tinha que assistir à missa das 8h, na Catedral. Depois, ia para o catecismo espírita com meus pais. Todas eram atividades obrigatórias na minha vida, mas eu gostava. Não assimilava os conteúdos de nenhuma das doutrinas. No colégio, de vez em quando, os irmãos falavam que eu era ‘espiritista’, mas nunca criaram caso.
Terminei o colégio e continuei trabalhando na gráfica do meu pai, aliás, nunca parei. Quando não estava na escola, estava na gráfica. Já operava máquinas de impressão, trabalhava em todos os setores. Meu pai fazia o jornal O Caminho, para divulgar a doutrina espírita. Eu fazia a composição do jornal com tipos móveis.
Anos rebeldes
Em 1963, prestei o concurso do Banco do Brasil e passei. Não tomei posse por causa do serviço militar. Iniciei o Tiro de Guerra, em Guaxupé, mas fui desligado, pelo Sargento Paulo, por mau comportamento. Fui para o exército em Pouso Alegre, onde fiquei por um ano e três meses. Foi uma experiência ótima, achei importante ser militar. A disciplina é um ritual. Em 64, com o movimento militar, nosso batalhão foi chamado a Brasília, mas eu não me interessava por política. Na época, estava mais ligado às farras que fazia. Tinha uma vida boêmia, bebia demais.
Logo que saí do exército, me casei com Heloísa Helena Bonelli. A gente namorava desde a adolescência. Nos conhecemos num footing na avenida. Em maio de 1965, tomei posse no Banco do Brasil, em Jaraguá, Goiás, e nos mudamos para lá. Em janeiro de 66, nasceu nossa 1ª filha, Luciane. Nessa época, meu pai faleceu, aos 68 anos.
Fiquei pouco mais de dois anos no banco e abandonei o serviço. Voltei com minha família para Guaxupé. Moramos na casa da minha mãe durante um ano, depois, nos mudamos para São Paulo. Arrumei emprego na Editora Abril, como desenhista de histórias em quadrinhos, do Tio Patinhas, Professor Pardal e companhia Ltda. Nesse ínterim, tivemos mais três filhas: Cristiane, Paula e Thaís.
Um amigo gringo me indicou para um cargo na Champion Celulose. Mudei-me com minha família para Mogi Guaçu. Trabalhava no laboratório, fazendo análise de papel. Por volta de 1973, me separei da Lena. Após uns três anos, fui demitido. Por causa da bebida, eu faltava muito do serviço.
Voltei para São Paulo e fui trabalhar e morar no escritório de advocacia do meu irmão, Célio, que era muito grande. À noite, comecei a estudar Acupuntura, na Escola de Medicina Oriental, na Liberdade. Estudei uns quatro anos. Nesta fase, não bebi nada. Quando parei de estudar, voltei a beber. Retornei à casa da minha mãe.
Em meados de 1980, fiquei um mês internado na Santa Casa de Guaxupé. Estava com pancreatite, acite (barriga d’água) e cirrose. Os médicos me mandaram para Ribeirão Preto, disseram que eu precisava de tratamento especializado. Fiquei lá uns dois dias e me mandaram de volta. Não havia o que fazer por mim.
Nasce um novo homem
Sofri muito, tive muita dor. Não tinha condições para nada. Resolvi mudar radicalmente e largar a bebida. Falei para mim mesmo, não vou morrer doente, vou morrer saudável. E me curei, com acupuntura e alimentação adequada.
Minha mãe cedeu uma sala do apartamento em que morava para eu atender meus clientes. Fui o pioneiro, em Guaxupé, a trabalhar com acupuntura. Conheci Marta Scagliusi, como minha paciente, numa sessão de tratamento. Foi minha 2ª união estável, ficamos juntos mais de dez anos.
Abrimos uma clínica de medicina chinesa na Rua Aparecida, 643, na casa onde nasci. A Marta me empurrou para frente. Ela se especializou em Fitoterapia, trabalhávamos juntos. Fiz muitos cursos em São Paulo. Durante anos, dei aulas de Eletroacupuntura no Espaço Reviver, na Vila Mariana.
Com Marta, comecei a frequentar reuniões sobre Budismo, em São José do Rio Pardo e São Paulo. O budismo me ofereceu uma visão menos descentralizada da vida, adquiri uma macrovisão do universo: Todos somos um.
Desde que me curei, passei, também, a estudar a Fraternidade Rosacruz, que contribuiu na formação desta minha nova visão macrocósmica. Até hoje, recebo e estudo as monografias e pratico os rituais rosacruzes. Não frequento mais o budismo, por não haver reuniões sobre esta filosofia ou religião em Guaxupé. Mas continuo praticando seus ensinamentos.
Por volta de 1998, Marta e eu terminamos nosso relacionamento. Logo conheci Silmara Vergili, também como cliente numa sessão de acupuntura. Passamos a nos relacionar e iniciei minha 3ª união estável. As duas filhas dela, Juliana e Letícia, na época com 9 e 6 anos, passaram a ser minhas, também.
Em 2001, tivemos mais uma filha, Aline. Ela nasceu com Síndrome de Down. Trouxe muitas mudanças à minha vida. Pensei que precisaria ensiná-la, mas, ao contrário, ela me ensinou a viver. Aprendo muito com esta menina. Todos os pais como eu devem olhar por esse prisma: O Down veio a este mundo para ensinar, não para aprender, por este motivo são especiais.
Silmara e eu trabalhamos juntos na clínica, só que não mais na minha antiga casa. Ela faz um trabalho voltado para a harmonização de centros nervosos por meio de cristais. Temos clientes de São Paulo, Jundiaí, Santa Bárbara d’Oeste, entre outras. Faço palestras sobre Acupuntura e Autoajuda no Unifeg, centros espíritas e casas paroquiais, em Guaxupé e região. Tenho um programa de rádio diário, às 9h, na 87 FM.
Minha meta é continuar crescendo, espiritualmente. Estamos aqui de passagem, então, que essa passagem seja produtiva. Quanto mais ajudamos o próximo, melhor. Acordo, diariamente, às 5h30. Faço exercícios de relaxamento, respiração e meditação. Dedico as manhãs à minha caçula. Nos outros períodos, à medicina chinesa.”
Marcos é membro da Elite da Acupuntura Tradicional no Brasil, pelo CONBRAC – Conselho Brasileiro de Acupuntura. Hoje, com a saúde totalmente recuperada, mantém uma alimentação baseada em frutas e verduras. Só não larga o cigarro. Geralmente, aos domingos, sempre dedica um tempinho às plantas.

Fotos:
1) Marcos, aos quatro anos.
2) Em 1964, Marcos, entre os colegas do exército, em Pouso Alegre.
3) Com a mãe, Haydée, no início dos anos de 80.
4) Na clínica atual, Marcos fazendo acupuntura auricular.
5) Como palestrante no IV Congresso Internacional de Medicina Chinesa.


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